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MPF oficializa inquérito para combater fome na Aldeia Kamay em São José do Xingu

MPF converte investigação em Inquérito Civil para combater insegurança alimentar na Aldeia Kamay (MT), cobrando projeto conjunto da Conab, Embrapa e Funai.
Insegurança alimentar na Aldeia Kamay

Procuradoria quer tirar do papel projeto piloto que une Conab, Embrapa e Funai para garantir segurança alimentar ao povo Juruna

O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso endureceu o tom na fiscalização de políticas públicas voltadas aos povos originários. Nesta quinta-feira (8), o órgão oficializou a conversão de um procedimento preparatório em Inquérito Civil para apurar, com lupa, a grave situação de insegurança alimentar que atinge a Aldeia Kamay, do povo Juruna, localizada no município de São José do Xingu.

A medida não é apenas burocrática; ela eleva o status da investigação. Agora, o foco central é monitorar se as promessas estatais sairão do papel. O procurador da República Guilherme Fernandes Ferreira Tavares, que assina a portaria, determinou a verificação imediata da “viabilidade de implementação de projeto piloto em parceria entre CONAB, EMBRAPA e FUNAI”.

Ação coordenada contra a escassez

A decisão ocorre em um momento crítico, onde a simples distribuição de cestas básicas já não resolve o problema estrutural da fome nas comunidades. O texto da portaria destaca a necessidade de “apurando as ações públicas voltadas à superação do problema”.

Para o MPF, a articulação entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) é a chave para uma solução duradoura. O objetivo é criar um modelo autossustentável que possa, futuramente, servir de exemplo para outras comunidades.

O peso da lei

A conversão para Inquérito Civil permite que o MPF requisite perícias, documentos e depoimentos com prazos mais rígidos. O procurador fundamentou a decisão na Constituição Federal, lembrando que cabe ao órgão “zelar pelo efetivo respeito aos direitos e interesses sociais e individuais indisponíveis”.

Além disso, o documento reforça a competência da Justiça Federal para “processar e julgar disputa sobre direitos indígenas”, sinalizando que, se as medidas administrativas falharem, o caso pode parar nos tribunais.

Próximos passos

Com a instauração do inquérito vinculado à 6ª Câmara de Coordenação e Revisão, novas diligências já foram ordenadas. O despacho determina que “sejam cumpridas as diligências lançadas no despacho (…) por meio do qual são indicados quais os elementos de prova devem ser requisitados neste momento”.

A pressão agora recai sobre os órgãos federais. A expectativa é que o projeto piloto de segurança alimentar na Aldeia Kamay saia do campo das ideias e leve comida, de fato, à mesa do povo Juruna.

Para entender melhor:

  • Inquérito Civil: É uma investigação administrativa conduzida pelo Ministério Público. Serve para colher provas e elementos de convicção antes de decidir se é necessário entrar com uma ação judicial (Ação Civil Pública).

  • Segurança Alimentar: Vai além de não passar fome; é o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer outras necessidades essenciais.

  • Juruna (Yudjá): Povo indígena que habita principalmente o Parque Indígena do Xingu e áreas próximas em Mato Grosso, conhecidos por sua habilidade na navegação e produção de artefatos.

 

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