Ir para o conteúdo
Pesquisar
Close this search box.

O fim da meta de 1,5°C: mundo falha em frear emissões de carbono em 2025

O mundo falhou em atingir o pico de emissões de carbono em 2025, com alta de 1,1% na poluição e recorde de 38,1 bilhões de toneladas de CO2.
emissões de carbono em 2025

O prazo científico mais importante da década terminou com um resultado amargo para o planeta. Dezembro de 2025 marca o momento em que as emissões globais de carbono deveriam atingir seu ponto máximo para evitar um colapso climático. No entanto, os dados mostram uma realidade oposta. Em vez de uma queda, o mundo registrou um aumento de 1,1% na poluição por combustíveis fósseis este ano.

O recorde que ninguém queria bater

As estatísticas preliminares do Global Carbon Project indicam que o mundo lançou 38,1 bilhões de toneladas de CO₂ na atmosfera em 2025. Esse valor representa um recorde histórico absoluto. O gás natural liderou esse crescimento com uma alta de 1,3%. Logo atrás, o petróleo subiu 1,0% e o carvão aumentou 0,8%.

Esse cenário enterra a esperança de limitar o aquecimento global a 1,5°C. O professor Pierre Friedlingstein, da Universidade de Exeter, foi categórico ao analisar os novos números durante a COP30. Segundo ele, “com emissões de CO₂ ainda aumentando, manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C não é mais plausível”. Friedlingstein liderou o estudo que mostrou o esgotamento rápido do nosso “orçamento” ambiental.

Para entender melhor: O orçamento de carbono

Imagine que a atmosfera é um balde quase cheio. O “orçamento de carbono” é a quantidade de poluição que ainda podemos despejar antes que o balde transborde e cause danos irreversíveis. Atualmente, restam apenas 170 bilhões de toneladas para a meta de 1,5°C. No ritmo atual, esse limite será totalmente consumido antes do ano de 2030.

Promessas vazias e manobras contábeis

A conferência climática em Belém, a COP30, terminou com sentimentos mistos. O governo brasileiro apresentou o “Pacote Político de Belém”, mas as decisões sobre combustíveis fósseis decepcionaram. Enquanto o Brasil tentava mediar os conflitos, países produtores de petróleo barravam metas mais rígidas de redução.

Além disso, a análise das metas nacionais revela problemas profundos de transparência. O Brasil, por exemplo, é alvo de críticas por alterar seus métodos de cálculo. Embora o país mantenha o compromisso de reduzir 50% das emissões até 2030, a mudança na “linha de base” gera desconfiança. Analistas do Climate Action Tracker afirmam que o Brasil está fora do caminho para cumprir seus compromissos de 2025 e 2030.

Enquanto isso, a China apresentou uma meta considerada conservadora demais. O maior poluidor do mundo pretende reduzir emissões líquidas em apenas 7% a 10% até 2035. Especialistas alertam que esse objetivo dificilmente impulsionará as mudanças necessárias na economia global. A China também deve falhar em sua meta interna de reduzir a intensidade de carbono em 18% até o fim deste ano.

O peso da omissão internacional

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, sob a gestão Trump, piorou drasticamente as projeções para o futuro. Sem a participação da maior economia do mundo, o abismo entre o necessário e o executado aumentou. O relatório da ONU sobre a “lacuna de emissões” mostra que estamos caminhando para um aquecimento entre 2,6°C e 3,3°C.

A Índia apresenta um quadro curioso e contraditório. O país atingiu suas metas de energia limpa antes do prazo, mas suas emissões totais continuam subindo. Afinal, como as metas são baseadas na eficiência da economia, o crescimento acelerado permite que o país polua mais em números absolutos. Dos 25 principais emissores mundiais, apenas 15 estão seguindo suas promessas de forma satisfatória.

O fracasso em atingir o pico de carbono em 2025 não é apenas um erro burocrático. Cientistas alertam que cada ano de atraso adiciona trilhões de toneladas de poluição acumulada. Isso aumenta a chance de atingirmos “pontos de ruptura”, onde o clima muda de forma violenta e sem volta. O tempo para agir de forma suave acabou, e agora o mundo enfrenta a necessidade de cortes drásticos e urgentes.

 

Leia também:

Prefeitura de Pontal do Araguaia gasta R$ 842 mil em shows sem licitação

Segunda parcela do 13º salário deve ser paga até a próxima sexta-feira

Plano Clima sob censura: Agricultura impõe silêncio sobre agrotóxicos e desmatamento

[the_ad_group id="301"]

PROPAGANDA

MAIS NOTÍCIAS

CATEGORIAS

.

SIGA-NOS

PROPAGANDA

PROPAGANDA

PROPAGANDA

PROPAGANDA